Açor...

Saudades desta Serra...
No passado sábado, decidimos experimentar a carrinha. Sacos feitos a correr, toca a meter tudo o que possa vir a ser preciso, ou não!
Já quase no final da tarde, sem rumo, às voltas com o mapa... «Para onde?» «Góis!!» - lembrei-me. É para lá que vamos. Mais precisamente, Vila Nova do Ceira. Praia fluvial das Canaveias (mas na outra margem do rio!).
Volta e meia vamos lá parar. Já está muito diferente, modernizado, desde que conheci o sítio à uns 12 (?) anos atrás. O rio é expectacular, o sítio é pacato e só recebe "enchentes" em Agosto, ao fim-de-semana. Foi lá que passamos a noite e onde acordamos com esta paisagem.

Banho matinal e lançamento de pedrinhas.

Fomos a Góis, ao supermercado, "abastecer" para o almoço, e partimos rumo à "minha Serra".

A serra onde vivi metade da minha infância e metade da adolescência, e onde nunca mais tinha voltado.

A cerca e 10km de Góis, direcção de Arganil, fica Celavisa. Recordo a escola onde fiz a 4a classe e os caminhos da aldeia que percorria a pé de regresso a casa. Noto poucas diferenças, apenas novas construções, o cão que estava sempre preso e tinha um ladrar rouco, já não está lá. Já não há mulheres a lavar a roupa nas pedras do canal de água, mesmo ao lado da estrada. A água ainda corre. Nunca foi para mim uma aldeia bonita, mas tantos anos depois, foi com alegria que revi as ruas, casas e até algumas caras a quem me lembro de dar "bons dias" e "boas tardes".

Um quilómetro à frente, Jurjais.
Lado esquerdo da estrada, ao cimo. Pequeno aglomerado de casas, outrora abandonado, quase todas a cair. Apenas duas, três mais arranjadinhas, de emigrantes ou pessoas que foram viver para as cidades e só vinham passar férias. A nossa casa e quinta, era no cimo do lugar e por causa da vegetação não se vê da estrada.
Hoje, a maioria das casas estão recuperadas, com flores nas janelas e roupa em estendais. Alguns carros estacionados cá em baixo, na estrada. Nenhum português.
Sem parar, seguimos o nosso caminho.
Linhares, Pracerias, Adcasal. O alcatrão acaba e começamos a subida para a Serra.
No alto, onde 5 caminhos se encontaram numa fonte de água fresca, paramos na sombra dos castanheiros. A vista é deslumbrante.
Uso pela primeira vez o fogão da carrinha e preparo o nosso almocinho. O Simão aventura-se no mato e aprende por experiêcia a afastar-se dos tojos que picam «Pii...!». Corre na estrada deserta, jogamos com ele à bola.
Doce cheirinho a liberdade tráz-nos a serra e o vento que sopra, tornando suportáveis os 30ºC ou mais graus que se fazem sentir ao sol.
Cerca de duas horas passadas e só 2 carros passaram na estrada mais abaixo.
Simão começa a ficar com soninho e seguimos caminho em direcção ao Colmeal.
No Sobral, encontramos de novo estrada alcatroada.

Linda Serra do Açor.
Segue-nos o som da água que corre no rio, nos ribeiros e pequenas cascatas no fundo dos vales.
Magestosas encostas de mato rasteiro: urze, rosmaninho, carqueja, maias, giestas. Frondosos vales de castanheiros, carvalhos, loureiros... criam uma incrível paleta de tons com que apetece pintar.
E é-me tão familiar...
Relembro os passeios que fazíamos nos finais de tarde no Verão. Fantásticos pores-do-sol de fogo, a cassete dos Dire Straits e o sabor a liberdade. Apesar do "aperto" que eram esses passeios, em que eramos 8 numa 4L - Três mais dois ao colo só no banco de trás - Somos 6 irmãos!

Aldeias de xisto abandonadas com os seus socalcos suportados pelos seculares muros de xisto. Construídos pedra-a-pedra pelas mãos de homens.
Outras aldeias, mais modernas, mas nem por isso mais habitadas, remetidas ao esquecimento, isoladas por muitos quilómetros de estrada, de qualquer vila ou cidade. Imagino que a maioria das aldeias se encha de cor, vida e alegria apenas no Verão, quando regressam à terra aqueles que há muito emigraram.
O Simão dorme todo o caminho.
Contornamos montes, subimos e descemos encostas. Perdemo-nos pelas múltiplas cicatrizes da Serra. São muitas as estradas que se cruzam e onde não há sinalização. Apenas tabuletas com nomes de aldeias que não aparecem no mapa.
A intenção era seguir norte e encontar um tal de "estrada amarela" do mapa que nos levavaría à Vila de Avô. Não chegamos a encontrá-la.
Cerca de três horas de caminho, finalmente, reconhecemos uma estrada, um lugar, onde uma vez "piquenicamos" a caminho do Piodão.
Si acorda. Perdeu um belo passeio mas fez uma boa soneca.
Avô... Oliveira... Estamos em casa.
A carrinha portou-se bem, apesar de nos ter pregado um tremendo susto por falta de travões em plena serra, mas tudo ficou bem - com uma grande ajuda "dos Céus", eu acho.

6 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Patrícia disse...
    Linda viagem...quero conhecer estes lugares,deu mesmo vontade de seguir viagem com vocês...
    6 irmãos,nascer na aldeia...não sei o que é,mas havia de gostar(sou filha unica e sempre cresci na cidade,junto da praia)...
    Mas adoro campo...mesmo que seja só em ficção,porque sou a única...
    :)
    Passa pelo meu bloguinho,deixei uma surpresa para os melhores blogs...adoro este,ternurento!

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  3. wow ... In some ways I feel sad that I don't speak Portuguese (although one day I hope to!) because I see all these beautiful pictures and think "i wonder exactly what she is saying" ... and then I translate your words using google and although it's not perfect, I get a feel for how beautiful your writing is, matching the pictures perfectly. Your descriptions of the smells and views make me feel even more excited about coming to central Portugal.

    I'm so glad your van is doing well and making it up the mountains. I'm sure you will agree what a great feeling of freedom it brings!

    We are currently in Northern Spain. The countryside is amazing with rolling hills, mountains and sea. Beautiful. I also have internet for a couple of days so I'm 'catching up' with blog-reading. Thank you for stopping by mine even when I'm not there to welcome you properly, we did so enjoy to read your comment :-)

    I hope that we can park next to each other at the foot of the Estrelas ... our friends have an Estrela mountain dog and we promised to take pictures of her homeland :-) :-)

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  4. Joana:

    As imagens estão espectaculares, és uma verdadeira artista na arte da fotografia.
    Eu também sou da zona, a minha terra é Travessas,Celavisa.
    Parabéns e continua.

    Carlos Gonçalves

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  5. Olá Joana!
    Sim, efectivamente, Travessas é a uma distância de 1,5 dos Sequeiros, sempre a subir, no meio da Serra da Gatucha.
    É uma aldeia muito bonita, com uma vista simplesmente deslumbrante, se não conheces, passa por lá um dia, vais ficar encantada.

    Saudações amigas do

    Carlos Gonçalves

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  6. Olá Joana!Obrigada pelo comentário! Estive de novo no teu blog e quero te dizer que o Simão é liiindooo!! Parabéns! :) até breve!**

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