Sotão da memória

Guardo para mim palavras, que tenho medo de mostrar.
Nas poucas visitas que faço a cadernos antigos, leio coisas que outrora fizeram sentido.
Libertar é importante, para a frente é o caminho, mas o passado faz parte de nós. E ajuda-nos a avançar.
A memória...
Em lugares recônditos da memória guardamos experiências, sentimentos... imunes ao Tempo.
Certos dias, ou pequenas coisas... um som, uma brisa, uma palavra, é o suficiente para que voltemos ao sotão da memória e sacodindo a poeira e a teia, fazemos re-descobertas.
Não que isto seja importante.
Partilhar isto não era importante.
Mas esta mensagem tem algo de importante e foi ela que me levou, hoje, ao sotão da minha memória.

São só vontades,
São só desejos,
São só metas por vencer.
Ao temê-las não encontro
A essência do meu ser.
Porque luto?
Porque vivo?
O que me faz avançar?
Que desejo mais profundo
Me impede de parar?
Aqui estou eu
E continuo
Tantas voltas já dei…
Tenho mágoas
Travei guerras, lutas,
Fiz tréguas,
E não sei para onde irei.
O caminho é confuso
Quero ver uma só luz
Trémula, difusa, intermitente
Mas estar certa de que não mente
E ao meu destino me conduz.
Sou viajante na luz,
Até viajante sem viajar,
Dentro tenho a vontade
Que me faz saltar abismos
Cair e levantar.
Mas a queda marca
E cada dor é mais um medo,
É um grito rouco e louco
Que segredo a um rochedo.
Insisto e o medo persiste
E não me contento
Mas preciso parar.
O rochedo sem vida
Conforta-me e faz-me pensar.
Tenho medo
De não esquecer
Tenho medo de não lembrar.
Quero lembrança
Doce e linda,
Sem a velha mágoa,
Mágoa minha,
Minha amiga na solidão
Porque cá dentro estou sozinha,
Sem o conforto de uma mão.
Mão amiga,
Doce e suave
Que viaja no meu braço
Mas viaja, parte e deixa
A lembrança de um abraço.
Vida feita de encontro
Desencontro e despedida,
Vida feita de papel escrito
Início, fim,
Regresso, partida.
Palavras mudas
De saudade,
Breves momentos
De alegria,
Longas buscas de perdão
Caminhadas na incerteza
Por entre pedras nuas
E ilusão.
Na ilusão, desilusão
Reencontro de novo a razão
E dou paz ao sentimento
Para deixar de ser tormento
E ser só recordação.
Luto, enfim, pela paz.
Amo, enfim, a vida.
Regresso, por fim, e descanso.
Não mais estou perdida.
O arrepio percorre a espinha
É inútil negar.
Esquecer é impossível
E é tão bom recordar.

Quinta de Santa Fé, 2006

6 comentários:

  1. I am not sure how well the translation works, but I enjoyed these words. xxx

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  2. Hi Alice! Thank you.
    Well, the translation from google is not 100% correct... I would like to translate it myself, maybe I will, even if some "rhymes" will be lost!

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  3. Olá Joana!

    Obrigado pela mensagem sobre a "Alice no país das maravilhas".Pensei que secalhar podia estar a ser dura com o sr. mas pelo menos não estou a ser "louca..." na crítica.

    Olhar para o passado é bom.Quando olho para coisas que escrevi na adolescencia...não sei o que me passava pela cabeça nessa altura...mas é geralmente simpático recordar-me do que já fui um dia, no que me mantive e no que me tornei diferente.

    beijinhos!

    também estive pelo Douro á 1semana, mas mais para a zona de paredes...rio mau...

    :D lindo!

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  4. Querida Joana,,,

    Obrigada por partilhares. A vida é uma experiência e se deixarmos fluir podemos ser canais por onde as coisas passam...se eu aprendo com alguma experiência, de alguma forma por esses fios mágicos que nos ligam a todos tu também aprendes, e assim tudo o que já vivemos é válido! A memória é o que nos sustêm...re-lembrar não é estar apegado ao passado é re-criar, acrescentar dar nova visão nova prespctiva... é disso que vivem as histórias afinal!!!

    Um grande abraço

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  5. Ainda que existam dificuldades ao longo do caminho da vida, que o destino te sorria, Joana!

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  6. Querida Joana, ir ao sotão as vezes faz bem, limpar as teias de aranha, por tudo mais limpo e claro!E trazer lembranças e projectos antigos de novo á vida!

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