Talasnal do meu coração

Ontem, houve festa de mini-basquete na Lousã e o Si foi com a equipa.
Jogos toda a manhã - almoço/piquenique nas piscinas do castelo - caminhada na serra - merecida banhoca nas piscinas de água gelada mas pura - e lanche para terminar, já pelas 6 horas da tarde.



Enquanto eles almoçaram e fizeram a caminhada, nós: mãe, pai e ju, aproveitamos para subir ao Talasnal.

Vivi lá em pequena, nos anos 89/90/91... Eu tinha 6 anos, as minhas irmãs, 7 e 9 e o meu irmão apenas 6 meses, quando os meus pais se mudaram para a serra de malas e bagagens para sermos os únicos habitantes daquela aldeia. Nós, o Tarruco, o nosso cachorro serra da estrela e a Malhinha, uma gata grávida. Coragem ou loucura, dizia toda a gente! Não têm medo? Talvez um misto e também procurar viver o sonho... digo eu!




O caminho para a vila (que agora é cidade) fazia-se a pé, não tínhamos carro - só uma motorizada - e os taxistas da vila não queriam estragar os Mercedes na estrada, que ainda era de terra. No primeiro ano não fomos à escola, maravilha! Aprendíamos em casa e acima de tudo, brincámos muito. Apenas no ano seguinte os meus pais conseguiram que a Câmara finalmente, arranjasse transporte para nos levar à escola - uma 4L e um condutor que só ouvia "lambada". No inicio tínhamos uma cabra - a Bita e duas galinhas - a Clara e a Careca. a população foi crescendo até termos um pequeno rebanho que mantinham os caminhos da aldeia limpos - sem silvas - e 20 galinhas e um galo que andavam em liberdade e que foram, na sua maioria, parar ao papo da raposa. Tínhamos uma horta e um batatal. Um moinho de água com uma piscina natural onde nos refrescávamos no Verão. De vez em quando, havia escuteiros e grupos de amigos, quase sempre os mesmos, que enchiam a "casa-abrigo" nas férias de verão. Alguns acampavam na escola antiga ou nos palheiros ou casas abertas e abandonadas. Também vinham aos fins-de-semana a Rebela e o Fidel, miúdos alemães da aldeia vizinha que traziam o rebanho para aqueles pastos e brincavam connosco. Ah, e o Ti-Manel que vinha da Lousã para ver as colmeias! 
A nossa família também cresceu nesses anos com o nascimento de mais um bebé, que nasceu em casa no Outono de 89.
Não esqueço o cheirinho da terra depois das chuvas, o cheiro do nevoeiro pela manhã. das maias e das urzes, das mimosas, da liberdade... Foram só aqueles anos, mas ficaram cá, entranhados nos meus sentidos e no meu coração.

Há cerca de 14 anos tinha voltado lá. Desta vez eu, e o meu companheiro de mochila às costas, subimos a serra a pé, para acampar no recreio da antiga escola. Já na altura pude ver as diferenças... já havia sinal de recuperação de casas, iluminação pública, e até um bar/tasco que descobrimos apenas no último dia e onde tomámos o pequeno-almoço antes de descer a serra.

Ontem... pude ver que o "desenvolvimento" é ainda maior. Com a maior parte das casas recuperadas para turismo, mas não só. Restaurantes, bares, lojas de artesanato... Senti-me um pouco estranha por ouvir vozes por todo o lado... faltou-me aquele "sentimento de solidão" que lá sentíamos, especialmente, a minha mãe, durante aqueles anos...
Mas continua a ser uma aldeia muito bonita e que merece ser visitada. E com tanta casa de turismo, vale a pena ficar lá um dia ou dois, ou mais, para conhecer bem a serra, as outras aldeias... respirar.




















 A nossa antiga casa.


















3 comentários:

  1. What an amazing experience that must have been... beautiful. We are here now! soon when we are settled, I will be in touch :-)

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  2. Um lugar encantador! :) Adoro a Lousã e as suas aldeias.

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