O Outono e a Taça

Outono que chegas no voo das folhas,
Nas manhãs frescas e tardes quentes
No aroma do fim das colheitas,
E na queda das sementes.

Em ti me recolho e regresso à terra.
E nas raízes onde me deito,
Faço meu ninho e me aconchego,
Nesse berço que é meu leito.

No equinócio dou à luz
a taça que teço com fios de crenças.
E nela deposito o meu coração.
Taça, berço, forma minha,
Forma perfeita na imperfeição.

Avanço ao mover,
o corpo adormecido.
Nele estão os traços, as cicatrizes
do que escolho ser
e aquilo de que não preciso.
Teço a taça que é meu copo,
Nunca cheio, nunca vazio.
Assim nasce intuitiva
E de parto demorado.
Pronta para a transformação
Que acontece no receptáculo sagrado.
Tecêmo-lo juntas
Em cumplicidade
No círculo da teia da vida

Estou pronta meu Outono,
Para voltar ao meu interior
À terra,
Ao berço,
Que Teço.

Te agradeço.

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