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Devaneios da chuva

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Olho para os livros
na prateleira do quarto
Livros que quero ler
e que não comecei,
os que comecei
e não acabei...
Os projectos sonhados,
semi-projectados
sem meio, nem fim.
E vejo que os sonhos,
projectos e livros
são iguais para mim.

Inverno é
interregno na vida
que se entranha e se instala
como se fosse ficar.
Daqui vejo o fundo
de luz de um futuro
que quero e me estico
para agarrar.

Viajo mas durmo
Penso e procuro
um meio de ir.
Mas se não me levanto
perco o impulso
e tendo a cair.

Tenho esperança,
Mas a chuva já cansa
tolda-me a vista,
esfria-me a mente.
Que ela é precisa
eu sei, ela é vida,
é riqueza da gente!

Mas no sol eu renasço,
por isso o que eu faço
é só esperar.
Melhores dias virão,
Menos escuridão e alegria no ar!

Se o calor vem então,
eu me levanto e inspiro,
Sorrio e respiro
e torno a acreditar.



When my imagination...

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When my imagination Takes me by my mind, It leads me off so far, so fast, My body's left behind. Yet, that's when I am most myself, Lost in wish and dream, And coming back, I smile and think I'm more than I might seem.
Sesame Street By David Korr joana soares, Maio2007 * * *

Tenho saudades

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Inspirada por este post recordei algumas palavras que escrevi na altura em que saí da cidade e vim esticar as minhas raízes nesta terra do centro do país.

No cimo de um rochedo, num pinhal de frondosos pinheiros mansos, rabisquei num caderno... (Sinto-me um pouco reticente em partilhar, mas cá vai...).
Tenho saudades
Do meu espaço e tempo.
De asas para voar e ver
Toda a casa, o mundo.
Sinto o vento que aconchega
E leva.
Sinto-me pura e parte do todo
Neste instante,
Sou tudo
Sou todo e nada
Viajante, recém chegada,
De partida.

Quero dar-me
E entregar-me
Para todo o sempre
Ser plena e feliz
Como o pássaro que pia
Que no vento voa
Que à mãe canta
Unindo-se ao céu
Amando o mundo.

Tinha saudades
Deste espaço e tempo.
Deste instante, desta verdade,
Desta rocha, deste pinhal.
Pássaros, Cheiros,
E Vento.
Destas histórias
Que me conta o tempo
E traz saudades.

Sta Fé, Fevereiro 2006


vou onde o vento me leva

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Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...

Não sabia por caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e
assim quero que possa ser sempre —
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

P.S.:

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Ainda é segredo... ... Mas posso adiantar que eu e a Alice estamos a cozinhar umas ideias para um projecto em conjunto. Vai ter uma história a rimar e cores para sonhar. Vai ter Portugal e Inglaterra, barcos e montanhas... mais? Ainda é segredo!!!  Por causa do dito, a minha cabeça tem andado polvilhada de imagens e cores. Imagens e cores que quero pôr no papel. Ainda não arranjei tempo... os pincéis têm andado ocupados a pintar os "puxadores" ... e agora também as paredes da cozinha... (Oh meu deus!)
It is still secret... but I can already say that me and Alice are "cooking" some ideas for a project together.  It will have a story that rimes and colours to dream. It will have Portugal and England, boats and mountains... more? Is still a secret!!! Because of this, my head has been sprinkled with images and colours these days. Images and colours that I want to put on paper. Didn`t manage to have time yet... Brushes have been busy painting the "knobs" (?)... and now …

Little pieces of my Wonderland

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Reencontrei o meu caminho... E uma árvore velha para abraçar.
No chão, as pedras caídas, que um dia vou levantar...

Mais sobre este pedacinho de sonho: Aqui, aqui e aqui.

Sotão da memória

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Guardo para mim palavras, que tenho medo de mostrar. Nas poucas visitas que faço a cadernos antigos, leio coisas que outrora fizeram sentido. Libertar é importante, para a frente é o caminho, mas o passado faz parte de nós. E ajuda-nos a avançar. A memória... Em lugares recônditos da memória guardamos experiências, sentimentos... imunes ao Tempo. Certos dias, ou pequenas coisas... um som, uma brisa, uma palavra, é o suficiente para que voltemos ao sotão da memória e sacodindo a poeira e a teia, fazemos re-descobertas. Não que isto seja importante. Partilhar isto não era importante. Mas esta mensagem tem algo de importante e foi ela que me levou, hoje, ao sotão da minha memória.
São só vontades, São só desejos, São só metas por vencer. Ao temê-las não encontro A essência do meu ser. Porque luto? Porque vivo? O que me faz avançar? Que desejo mais profundo Me impede de parar? Aqui estou eu E continuo Tantas voltas já dei… Tenho mágoas Travei guerras, lutas, Fiz tréguas, E não sei para onde irei. O caminho é con…