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Devaneios da chuva

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Olho para os livros
na prateleira do quarto
Livros que quero ler
e que não comecei,
os que comecei
e não acabei...
Os projectos sonhados,
semi-projectados
sem meio, nem fim.
E vejo que os sonhos,
projectos e livros
são iguais para mim.

Inverno é
interregno na vida
que se entranha e se instala
como se fosse ficar.
Daqui vejo o fundo
de luz de um futuro
que quero e me estico
para agarrar.

Viajo mas durmo
Penso e procuro
um meio de ir.
Mas se não me levanto
perco o impulso
e tendo a cair.

Tenho esperança,
Mas a chuva já cansa
tolda-me a vista,
esfria-me a mente.
Que ela é precisa
eu sei, ela é vida,
é riqueza da gente!

Mas no sol eu renasço,
por isso o que eu faço
é só esperar.
Melhores dias virão,
Menos escuridão e alegria no ar!

Se o calor vem então,
eu me levanto e inspiro,
Sorrio e respiro
e torno a acreditar.



ReNovar

Faz dois meses. A Cura vai-se fazendo... e também a limpeza necessária. dentro e fora.
Demoramos a conseguir energia para limpar o exterior... ainda tudo é negro, e as memórias tão visíveis ao redor só desaparecerão daqui a muito, muito tempo... mas o que podemos fazer, chega uma altura em que, TEMOS de fazer. Primeiro resolvemos as coisas urgentes, como a ligação da água e da luz. A seguir, a reconstrução da fossa séptica. Cortamos árvores mortas (apenas algumas) e amontoamos lenha.  Refiz canteiros e plantei flores, arbustos e também árvores em lugares temporários. Mas o pior... aquilo que visualmente era até mais sombrio... demoramos até conseguir mexer... 
... Tínhamos (temos) grandes e pesados restos do incêndio. Telheiros de chapa negros e desfeitos, sucata do tractor, reboque, caravana, alfaias, outras máquinas... a dificuldade de "pegar" e levar daqui para fora de uma só vez, solucionou-se com a paciência de desmontar peça por peça, pedaço a pedaço, motor, parafuso,…

recortes a cores & recortes a preto e branco

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10 anos e meio de blogue, de pequenos recortes da minha vida. Raramente o faço, mas quando percorro as páginas de anos passados, demoro-me deliciada com pequenos pedaços.
......................
Um dia, da semana passada, passei algumas horas escrevendo sobre a noite do incêndio, sobre como tudo aconteceu e o que acontecia dentro de mim... não era de todo a minha intenção, mas quando comecei a escrever os dedos voaram pelo teclado com vontade própria porque eu própria não sabia que conseguia fazê-lo... escrever sobre o incêndio, expô-lo aqui... mas escrevi como catarse. Por ironia do destino, já no final, sem qualquer rascunho gravado, tudo desapareceu. O ficheiro não guardou, não publiquei, o computador apagou.
Não sou capaz do escrever de novo... ou talvez seja, um dia quem sabe... mas sei que não preciso, que não quero guardar essa noite na memória. É triste, demasiado triste...




O Outono e a Taça

Outono que chegas no voo das folhas,
Nas manhãs frescas e tardes quentes
No aroma do fim das colheitas,
E na queda das sementes.

Em ti me recolho e regresso à terra.
E nas raízes onde me deito,
Faço meu ninho e me aconchego,
Nesse berço que é meu leito.

No equinócio dou à luz
a taça que teço com fios de crenças.
E nela deposito o meu coração.
Taça, berço, forma minha,
Forma perfeita na imperfeição.

Avanço ao mover,
o corpo adormecido.
Nele estão os traços, as cicatrizes
do que escolho ser
e aquilo de que não preciso.
Teço a taça que é meu copo,
Nunca cheio, nunca vazio.
Assim nasce intuitiva
E de parto demorado.
Pronta para a transformação
Que acontece no receptáculo sagrado.
Tecêmo-lo juntas
Em cumplicidade
No círculo da teia da vida

Estou pronta meu Outono,
Para voltar ao meu interior
À terra,
Ao berço,
Que Teço.

Te agradeço.

.......................

Sobre "a arte de tecer a vida" -
anaalpande.com/a-arte-de-tecer-a-vida/








Junho, Julho, Agosto...

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Os meses de verão têm sido cheios de tudo.

Cheios de dias tristes e de introspecção... quando as tragédias assolam pessoas e natureza aqui tão próximo;

Cheios de felicidade e alegria... Pelo sol, o riso dos miúdos, o rio, o mar, os re-encontros de família e os momentos com amigos...

Calmaria, sorna e descanso, nos dias em que assim pode ser!

Cheios de passeio! Fomos conhecer a baía de São Martinho do Porto, onde nos demoramos uns dias, visitámos Óbidos e fomos (uffa finalmente e pela primeira vez) ao Oceanário!

Cheios de trabalho também, muito!... Quer por aquele que é necessário para pagar as despesas, quer o que é necessário sair do corpo porque há tanto por aqui para fazer (desde as hortas, às obras... um sem fim de projectos inacabados...)

Cheios de (algumas) árvores abatidas (e dor no coração) para proteger a casa dos incêndios, fazer reservas de lenha, ter madeira para construção... e dar lugar a outras variadas e autóctones para uma floresta mais sustentável.

Cheios de tomat…

Maio

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A chuva e o sol são poderoso fermento. Nesta altura, a rainha Primavera já não está mais a despertar do longo sono de inverno. Ela esta activa e numa azáfama incrível onde todo o reino vegetal e animal se apressa a viver. As ervas cresceram à altura da cinta. A flor já é semente ou fruto. A roseira de Santa Teresinha está no seu auge. É um festival de rosas que emana o seu delicioso e inebriante perfume. Abundância. Desde a pinha que cai e abre cheia de pinhão, à cereja que este ano é doce e generosa, ao feno que é cortado para o mulching da horta. A horta, começa a encher-se do verde dos vegetais que crescem de dia para dia: as alfaces, os tomateiros, as curgetes, as abóboras, o feijão verde, as batatas, as pastinacas, os nabos, os rabanetes, as beringelas, as cebolas, o milho doce, e mais... haverá de tudo um pouco! O final de tarde é passado a regar, para que tudo, hortas, flores e árvores não passem sede. O calor é forte durante o dia, e o céu azul cobre-se agora de tons alaranja…

hortelando

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Mais ou menos desde o final do verão, que a nossa horta estava completamente negligenciada, alguns espinafres se foram aguentando durante o inverno e pouco mais... mas os brócolos que plantamos no outono já começaram a dar e as alfaces também. Voltou finalmente a época da plantação e já temos a crescer: tomateiros, beringelas, couves variadas, nabos, rabanetes, beterrabas, alfaces... No próximo fim-de-semana será a vez do batatal!


Mulheres

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Queridas irmãs.
Hoje celebramos a importante emancipação da mulher no séc. XIX. Devemos celebrar também a ancestral essência feminina que nos faz seres especiais e poderosos. Virtualmente vos abraço a todas com amor. Tenham um dia maravilhoso.


Dear sisters, today we celebrate the important women emancipation that happened in XIX century. We need as well celebrate the ancestral essence feminine divinity that makes us special and powerfull. I want to virtually embrace you all with love. Have a great day.

 Flores de bergenia, arracadas pelo Che - o cão - estão agora numa jarra na minha cozinha. Perfumo intenso.
Bergenia flowers, pulled out from Che - the dog - and now on a jar on my kitchen. Intense perfume.

Che e Pirata

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No final do ultimo post prometi que voltaria com a história do "crescimento" da família.
Foi no final de Outubro que a nossa Mini deu à luz 7 cachorros. Não estava nos planos, mas aconteceu...



Nasceram 4 meninas brancas e 2 meninos castanhos. O gatinho Itashi, tinha ficado orfão recentemente e adorou ter de novo companhia.
Felizmente conseguimos dar 5 a boas famílias e ficamos com dois, a Pirata e o Che.
Têm agora quase 4 meses e são uns doces, mas uns incontroláveis destruidores de jardins.


Inverno

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Já lá vai um tempo, muito tempo, desde que escrevi neste blog a última vez... Razões várias, razões nenhumas... Eu sou "bicho" que hiberna no inverno, a minha figura mexe-se e vive, anda por ai, faz o que tem a fazer, dorme acorda, cuida dos outros, come, bebe, trabalha, mas eu, cá dentro retiro-me um pouco, para dentro de mim. Esta volta hoje, nem foi planeada, foi algo súbito, do momento, em que me apeteceu voltar, escrever. Vivo muito cada estação. Está tudo a acordar lá fora, o sol, a terra, as flores, as árvores. Apesar de hoje o dia voltar a estar um pouco chuvoso, cinzento, a primavera está aí, já se sente.
Vou contar um pouco do que tenho feito...
Na quinta: Andamos a fazer as vedações, a acabar um muro, sempre que o tempo permite. Na horta nada de novo, temos ainda a terra para preparar. No jardim, vou tirando umas ervas, vendo os bolbos crescer, abrir. As podas das vinhas, oliveiras e fruteiras foram todas feitas. Ainda temos alguns montes de restos das podas para…

Outono

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O Outono chegou de mansinho, como eu tanto gosto. Uns dia frios, uns dias quentes... mas agora já ninguém dúvida. Ele está aí. As cores já mudaram, os cheiros também.
Na adega respira o vinho, um garrafão de 30 litros, foi quanto a vinha nos deu (fora as uvas que comemos e as que comeram os pássaros e as abelhas).
Na horta, o tomate cereja ainda prospera embora comece a ficar danificado com a chuva. E vou colhendo uma ou outra abóbora. Já se plantaram mais couves e brócolos, mas ainda há muito a fazer para preparar sementeiras e plantações.
Temos muita maçã bravo-esmolfe, reineta e figos, muitos figos. Marmelos a amadurecer, alguns já caídos, já comemos alguns assados e devo fazer a marmelada no próximo fim-de-semana!
A lenha está cortada e guardada e já acendemos a salamandra. O Outono está por aqui, e eu gosto!... Que se atrase o Inverno, sim? 



à volta do topo

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Da ultima 3a feira. Depois de um banho no Sabugueiro, um piquenique à sombra do castanheiro. Uma subida à lagoa comprida, que eu nunca tinha visto sem estar gelada ou rodeada de neve. Passamos no magnífico Covão Cimeiro e na Senhora da Boa Estrela. Parámos no Covão d`Ametade onde caminhamos um pouco mais subindo o curso do rio, agora seco. O caminho para o Vale do Rossim, fez-se voltando para trás, pois o caminho que passa por Manteigas tem curvas a mais para meu gosto e os miúdos ainda queriam mais um mergulho antes de voltarmos a casa.
E assim passamos um dia de férias de Setembro, já com gosto de despedida, que as aulas estão aí, e o outono também há-de vir.
A pequena praia fluvial do Sabugueiro

 Bagas de Sabugueiro

Lagoa Comprida


Covão Cimeiro



 Senhora da Boa Estrela



O Vale Glaciar

Covão D`Ametade